Regressão ou progressão à média?

A primeira vez que me encontrei com este assunto foi quando meu filho mais velho, ao ler um livro, debateu comigo o impacto do conceito da regressão.


Naquele contexto do livro, o autor oferecia uma reflexão que nos dava a entender que, por "mais fora da caixa" que alguém fosse, em pouco tempo ele regrediria à média.


Nos deparamos com vários exemplos que corroboravam esta interpretação, sendo um deles a famosa frase: "Você é a média das cinco pessoas com as quais convive!", atribuída a Jim Rohn (hoje nem sabemos mais quem falou o que, de verdade).

De outro ponto de estudo, a regressão à média foi identificada em experimentos médicos e, nestes casos, torna-se necessária a criação de grupos de controle para aferir os resultados que são compostos por pessoas que não recebem o tratamento proposto nos ensaios.


Por mais que você seja fora da curva, a convivência levará você para a média.

Então os "gurus de gente" decidiram que você tem que trocar de mesa, se na sua mesa você for o mais foda, e procurar uma mesa em que você esteja algumas casinhas para trás para ser levado à uma nova média.


Daí, então, podemos entender que o objetivo é: uma progressão à média!


Por fim, temos ouvido muitos destes "gurus" profetizarem: "Águia voa com Águia" ou uma outra versão da mesma balela: "Águias não voam com pardais". Isso é tão hitlerista! Dá uma lidinha em Mein Kempf.


Mas eu quero falar do jogador de futebol Tche Tchê (será que tem circunflexo só no segundo?).


Ele jogou o fino do futebol no Audax, vice-campeão paulista naquele ano em que o Palmeiras o comprou. O Audax propôs um tipo de jogo marcante, envolvente, sem "chutão" e tudo o mais que gostaríamos de ver em nossos times.


Eu acompanhei o Tche Tchê no Palmeiras e, a cada jogo, ele tinha mais a cara do Palmeiras, do que do Audax. Neste caso, especificamente, eu acho que foi "regressão" à media e o pior: a habilidade que fez ele ser contratado, não foi a que mais impactou no seu jogo no porco. Ele foi perdendo aquele estilo e assumindo o novo esquema.


Continuo admirando seu futebol e, principalmente, sua história de vida.


Hoje, para voltar a ser águia ele precisaria viver com águias e, provavelmente, seria convidado a participar do fenômeno dos masterminds ou das mentorias.


Gente que paga uma fortuna, e gasta outra parecida com deslocamento e hospedagem, para ser mentorado por alguém (ou alguns) que propõe uma progressão à media daqueles que participam. Normalmente apoiados nas redes sociais, propagam e cultuam um "lifestyle manero" que vai agregar valor para as pessoas e tal.


Será que na "progressão à média", também, não haveria a necessidade de grupos de controle?


Estamos falando de estatística ou de humanística?



José Vicente


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