Os "gafanhotos" são piores que os impostos no Brasil

Estou neste negócio de empreender muito antes do termo ser popularizado.

Ainda com 20 anos, montei meu primeiro negócio que era uma agência de recrutamento e tinha como principal cliente a Camargo Correa.




Ela estava construindo uma fábrica de cimento e precisava de todos os carpinteiros e armadores que eu pudesse encontrar. A planta era em uma cidade do interior do Mato Grosso do Sul (Bodoquena), região rica em calcário, mas sem nenhuma estrutura como município.

Era um negócio sensacional! Todos os dias chegavam à capital Campo Grande, dezenas de trabalhadores de todos os lugares do país, motivados pela notícia do empreendimento.

Os critérios para que eu encaminhasse eram simples: 01 ano de experiência na carteira Cabelos curtos e sem barba (critério à época) Ter suas próprias ferramentas


Com estes três requisitos cumpridos, era só embarcá-los, inclusive dando a passagem de ônibus para eles.

A taxa de recrutamento negociada era 70% do valor do salário e é só fazer a conta para perceber que era um grande negócio.


Principalmente pelo fato de que, ao desembarcarem na rodoviária e perguntarem para as pessoas quem contratava pela "Camargo", todos indicavam a minha agência como a oficial da empresa na cidade.


No fim de cada mês, bastava fechar a fatura e emitir a nota fiscal.

Logo, no quinto dia, o dinheiro estava na conta.


Como eu consegui a Camargo Correa como cliente, tendo só 20 anos?

Eu tinha trabalhado na Gelre, uma grande empresa de RH e já fazia networking, quando apareceu esta oportunidade e o tipo de mão-de-obra deste recrutamento não estava no escopo da Gelre.


Eu consegui montar a agência com a ajuda de um sócio de capital, nada smart money... Era muito mais "donkey money" (nem sei se existe o termo) do que qualquer outra coisa.


Não estou reclamando dos R$ 2mil (nem era Real ainda) que ele colocou no negócio em troca de 50% da empresa. Sem este capital, eu não teria o escritório e a empresa.


Mas ele era funcionário de um banco público e parente de um parente.

Não fez o investimento por ter identificado o segmento, o potencial nem qualquer outra coisa. Alguém pediu que me ajudasse, ele tinha a pouca grana e deve ter achado que podia lucrar algo.


Mas nunca ajudou e, inclusive, sem entender nada do processo, só sabia me cobrar como se eu fosse um sobrinho que devia um favor para ele.


Um ano depois, este gafanhoto consumiu minha lavoura e, unilateralmente, decidiu fechar a agência.


Como eu tinha pouca idade, pouca personalidade e dependência financeira de uma renda mensal voltei a ser empregado na Bunge (onde eu já tinha trabalhado) para voltar a respirar ar puro e tomar impulso.


Hoje, com mais de 50 anos, percebo que a culpa foi minha, mas eu não tinha sido treinado para empreender. Filho de militar, fui treinado para ser empregado tanto pela escola como pela família, já que era o modelo da época.


Este foi meu primeiro experimento com os gafanhotos que custam mais caro que os impostos, no Brasil. Antes de faturar e gerar imposto, você precisa lidar com seu círculo que, normalmente, é treinado para te adestrar dentro do sistema.





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