O incrível desafio do Esperar n'Ele.

Atualizado: Fev 12

Tentando não cair no lugar comum sobre motivação (motivo para a ação) resolvi refletir sobre o que motiva cada um de nós e a relação com esta máxima cristã que pode ser confundida com passividade.


A primeira história que me inspira é a do Flávio Augusto, da Wiser Educação, que sempre relembra que a motivação inicial para sua trajetória, hoje vitoriosa, era encontrar uma solução para casar com a Luciana. Para isso, ele precisava de dinheiro e este foi o seu start. Segundo ele mesmo, casar-se com Luciana era tudo que ele pretendia e estava disposto a pagar o preço. Todo o restante da brilhante história é efeito colateral e fruto do seu brilhantismo. Isso está em todos os canais que você pode procurar sobre a história deste super empresário brasileiro, casado há mais de 20 anos e pai de três garotos.


Esta não é uma história única.



Muitas pessoas fazem coisas, inclusive impensáveis, por amor.


Conheço uma história de um rapaz que se entregou para a polícia, para pagar por seus delitos, por ser esta a condição da esposa, para que a vida a dois fosse possível. Ela somente aceitaria continuar aquele relacionamento se ele estivesse em condições de seguir a vida e formar a família tão almejada.

O mais curioso, neste caso, é que enquanto pagava a sua pena, ele conheceu uma mulher nos dias de visita na cadeia e abandonou aquela por quem se sacrificou se entregando e sendo preso.

O que será que moveu este sujeito que estava pagando o preço da liberdade por alguém e desistiu no meio do caminho. O que será que pode ter acontecido?


É neste ponto que indago: O que move as pessoas?


É certo que a grande maioria das razões estão no campo emocional e não teria como ser diferente, uma vez que tudo depende de uma tríade (na minha opinião, é claro!): razão, motivo e ação.

Podemos confundir razão com motivo, mas nem sempre é assim e tenho alguns exemplos para basear minha tese sobre isso: deixar de fumar, fazer exercícios, fazer dieta e coisas do gênero estão sempre na nossa mente e pela razão nos dizem que precisamos dar atenção. Só que nem sempre temos um motivo, por mais racional e lógico que pareça. É absurdo, até, imaginar como a racionalidade não supera a vontade que gera o motivo.


Posso encontrar a explicação num pensamento grego trazido a mim pelo Professor Marins.


Ele diz que os gregos, pré-socráticos professavam: "Inteligência é o farol que ilumina o meu caminho, mas não me faz caminhar."


Aí pode estar a razão!

Nossa inteligência nos diz tudo, inclusive se respeitarmos a intuição (que é uma das inteligências possíveis). Mas isso não é suficiente. Precisamos de motivo e, às vezes, é um infarto ou um diagnóstico médico assustador que desencadeia o tal motivo, mesmo que a razão já tenha marcado presença, sem efeito.


Identificado o motivo, vêm então o desafio da ação e eu encontro a percepção da fé como um obstáculo (ou não) e isso dá "pano pra manga" como diziam nossos avós.


A fé tem suas convicções e uma delas é bem intrigante e complexa:


ESPERA N'ELE!

Todos os cristãos (católicos ou evangélicos) têm sua crença baseada no "tudo posso naquele que me fortalece" e "esperar no Senhor" é uma das disciplinas.


Por isso, em alguns momentos o "agir", mesmo depois da razão e do motivo, é moroso e muitas vezes adiado, postergado e negligenciado.


Isso se deve à possibilidade da distorção na atitude frente ao entendimento: "Esperar n'Ele" pode ser diferente de "Esperar por Ele".


A mesma bíblia que diz para que você mantenha a fé e espere em Deus agir em sua vida, diz para você não se conformar e tomar posse do que é seu e isso está totalmente ligado à ação, mesmo que você a ação seja esperar.


É meio ação passiva do tipo: ócio criativo. Parecem antagônicos, mas estão mega relacionados.

Lembro-me da lógica do líder servidor de O Monge e o Executivo, que menciona que a liderança só se obtém pela autoridade, a autoridade pela servidão e só se suporta a servidão com o amor. Mas não é amor sentimento e sim o resultado que o ato de amar produz.


Quando eu comecei a escrever, eu só tinha a tal "big idea" e experimentei começar a escrever e deixar fluir.


Acho que cheguei, desta forma, à uma conclusão que me alegra:

O que nos motiva à ação é o amor ou o temor da falta dele.

A prática do querer bem, da proteção, do carinho, da satisfação em realizar, da feitura da comida, da construção da casa, dos sonhos realizados e os por realizar, das viagens inesquecíveis, dos shows ao ar livre, da angústia nas estradas que não terminam em viagens longas, das festas de aniversário, da nova pintura da casa, de conseguir pagar o conserto do carro, da vibração nos jogos da Copa (todos com a camisa da seleção), dos cuidados com os cachorros e gatos, ou da ausência de tudo isso.


Estes são os motivos, o resto é boleto pra pagar e outras obrigações.

E, para tudo isso, precisamos agir e a melhor ação é: Esperar n'Ele.


Lembre-se que isso parece contraditório, mas não é!


Eu penso que o Flávio tinha esta convicção e suas ações estavam alinhadas com esta crença que ele podia meter o pé e Esperar n'Ele...só assim era possível enfrentar horas intermináveis em transporte público, os desafios de vendas agressivas à época e manter o olhar para a frente agindo e não esperando por Ele.


No caso do rapaz que foi cumprir pena, eu confesso que preciso refletir mais sobre como ele conseguiu fazer o impensável por uma mulher e trocá-la na visita.


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