O incrível desafio do Esperar n'Ele.

Atualizado: 12 de Fev de 2020

Tentando não cair no lugar comum sobre motivação (motivo para a ação) resolvi refletir sobre o que motiva cada um de nós e a relação com esta máxima cristã que pode ser confundida com passividade.


A primeira história que me inspira é a do Flávio Augusto, da Wiser Educação, que sempre relembra que a motivação inicial para sua trajetória, hoje vitoriosa, era encontrar uma solução para casar com a Luciana. Para isso, ele precisava de dinheiro e este foi o seu start. Segundo ele mesmo, casar-se com Luciana era tudo que ele pretendia e estava disposto a pagar o preço. Todo o restante da brilhante história é efeito colateral e fruto do seu brilhantismo. Isso está em todos os canais que você pode procurar sobre a história deste super empresário brasileiro, casado há mais de 20 anos e pai de três garotos.


Esta não é uma história única.



Muitas pessoas fazem coisas, inclusive impensáveis, por amor.


Conheço uma história de um rapaz que se entregou para a polícia, para pagar por seus delitos, por ser esta a condição da esposa, para que a vida a dois fosse possível. Ela somente aceitaria continuar aquele relacionamento se ele estivesse em condições de seguir a vida e formar a família tão almejada.

O mais curioso, neste caso, é que enquanto pagava a sua pena, ele conheceu uma mulher nos dias de visita na cadeia e abandonou aquela por quem se sacrificou se entregando e sendo preso.

O que será que moveu este sujeito que estava pagando o preço da liberdade por alguém e desistiu no meio do caminho. O que será que pode ter acontecido?


É neste ponto que indago: O que move as pessoas?


É certo que a grande maioria das razões estão no campo emocional e não teria como ser diferente, uma vez que tudo depende de uma tríade (na minha opinião, é claro!): razão, motivo e ação.

Podemos confundir razão com motivo, mas nem sempre é assim e tenho alguns exemplos para basear minha tese sobre isso: deixar de fumar, fazer exercícios, fazer dieta e coisas do gênero estão sempre na nossa mente e pela razão nos dizem que precisamos dar atenção. Só que nem sempre temos um motivo, por mais racional e lógico que pareça. É absurdo, até, imaginar como a racionalidade não supera a vontade que gera o motivo.


Posso encontrar a explicação num pensamento grego trazido a mim pelo Professor Marins.


Ele diz que os gregos, pré-socráticos professavam: "Inteligência é o farol que ilumina o meu caminho, mas não me faz caminhar."


Aí pode estar a razão!

Nossa inteligência nos diz tudo, inclusive se respeitarmos a intuição (que é uma das inteligências possíveis). Mas isso não é suficiente. Precisamos de motivo e, às vezes, é um infarto ou um diagnóstico médico assustador que desencadeia o tal motivo, mesmo que a razão já tenha marcado presença, sem efeito.


Identificado o motivo, vêm então o desafio da ação e eu encontro a percepção da fé como um obstáculo (ou não) e isso dá "pano pra manga" como diziam nossos avós.


A fé tem suas convicções e uma delas é bem intrigante e complexa:


ESPERA N'ELE!

Todos os cristãos (católicos ou evangélicos) têm sua crença baseada no "tudo posso naquele que me fortalece" e "esperar no Senhor" é uma das disciplinas.


Por isso, em alguns momentos o "agir", mesmo depois da razão e do motivo, é moroso e muitas vezes adiado, postergado e negligenciado.


Isso se deve à possibilidade da distorção na atitude frente ao entendimento: "Esperar n'Ele" pode ser diferente de "Esperar por Ele".


A mesma bíblia que diz para que você mantenha a fé e espere em Deus agir em sua vida, diz para você não se conformar e tomar posse do que é seu e isso está totalmente ligado à ação, mesmo que você a ação seja esperar.


É meio ação passiva do tipo: ócio criativo. Parecem antagônicos, mas estão mega relacionados.

Lembro-me da lógica do líder servidor de O Monge e o Executivo, que menciona que a liderança só se obtém pela autoridade, a autoridade pela servidão e só se suporta a servidão com o amor. Mas não é amor sentimento e sim o resultado que o ato de amar produz.


Quando eu comecei a escrever, eu só tinha a tal "big idea" e experimentei começar a escrever e deixar fluir.


Acho que cheguei, desta forma, à uma conclusão que me alegra:

O que nos motiva à ação é o amor ou o temor da falta dele.