Curso: Desempregado de sucesso!

"Zapeando" é na televisão (ainda não tinham inventado o Whatsapp, quando criaram este termo) e no Facebook qual será o termo?

Certificado: Desempregado de Sucesso!

De qualquer forma, estava eu "zapeando" - sou Gen X - pelo Facebook, quando me deparei com uma situação que motivou este artigo.


Num grupo destes de "emprego em sei lá que região" destinado a ofertas de emprego, tinha uma oferta de curso e uma usuária respondeu: "Curso? Ah... curso eu já fiz, quero saber de emprego. Daqui a pouco vão criar o curso: Seja um Desempregado de Sucesso".

A escrita era mais sofrível, mas eu dei uma ajudinha para facilitar o entendimento.


Ela pode, até, ter um pouco de razão uma vez que graduados estão em cargos de nível médio e as pessoas, que antes faziam cursos e se davam bem, agora são obrigadas a disputar vagas de maneira desproporcional.


O que ela, talvez, não saiba é que estudar é "ato contínuo". Não é um toma-lá-dá-cá direto e objetivo: Estudei > aprendi (?) > me coloquei no mercado.

Estudar é, apenas, para nivelar você em condições de disputa.


Mas, de novo, ela pode ter razão!

O vendedor mal treinado (ou que não usou o treinamento que deram) que vendeu o curso, para atrair esta pessoa, estabeleceu esta regra: estude e se empregue! Ele não foi corajoso para dizer que quanto mais qualificação tiver, mais chances aparecerão e blá,blá, blá. Ele deve ter sido enfático: Estude isso e você arrumará emprego!

Há algumas situações com esta característica sim e eu presenciei uma delas!


Quando a telefonia foi privatizada no Brasil, as empresas vencedoras dos certames tinham que garantir metas de instalações de linhas telefônicas. Era uma das premissas do edital e os vencedores precisavam cumprir, sob risco de perder a concessão.


Dito isso, volto à minha experiência vivida real!


Para cumprir os prazos e metas determinados nos editais, as empresas vencedoras precisavam de um profissional chamado IRLA - Instalador e Reparador de Linhas e Aparelhos. Mas as companhias tinham poucas pessoas nesta função, principalmente, por causa do jogo que era jogado antes das privatizações.


Para quem não sabe, a aquisição e instalação de novas linhas acontecia à partir de um plano de expansão (era esse o nome) que abria e fechava num piscar de olhos. Quem comprou, comprou. Por este motivo, não havia a necessidade de grandes grupos de IRLA.


Com as privatizações, era fazer o curso e se empregar! Gastava-se, mais ou menos, R$ 500,00 num curso de aulas teóricas e práticas e, ao receber o certificado, era ir direto na companhia Telefónica (a de São Paulo) e começar a trabalhar.


Eu trabalhava numa empresa de educação que encheu as "burras" com isso.


Mas o mundo mudou e esta moça nem era nascida quando esta coisa aconteceu.

Para piorar o cenário, o curso que ela fez e tanto clama, é de Operador de Caixa. Uma função que, se ela der só uma lida rápida na internet, vai descobrir que está perto da extinção por conta da automação.


Alguém precisa dizer para ela que só tem duas atividades, atualmente, com esta característica: Vendas e Tecnologia. É formar e encontrar trabalho, ainda na formação!


Mas eu gostei do título do curso: Desempregado de Sucesso!


Acho, até, que vai ser o título de um novo e-book.



José Vicente

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