A "maldição" do Resultado

Não te deixam falar, se você não tem resultado. Você não tem o direito!


Vivemos na tirania e obrigação de ter que "performar", entregar resultado, fazer dar certo e, se isso não acontece: são descredenciados e descreditados.

Mas qual será o resultado que tem que entregar que tanto falam?



Para propor uma reflexão sobre este assunto, vamos olhar três cenários:


Cenário 1 - O das mulheres

Em épocas de igualdade, um sem número de mulheres se vê obrigada a não depender de homem, ser autossuficiente, independente financeiramente e dona de seu próprio nariz.


Cenário 2 - O dos empreendedores

Numa louca corrida pela sobrevivência e (até) sustento, aquele que empreende está sujeito ao julgamento do valor das suas ações empresariais pela régua do resultado financeiro.

A despeito de todas as outras consequências do seu empreendimento, o que vai determinar se ele tem propriedade e "autoridade" é seu resultado financeiro.


Cenário 3 - Os jovens

Cada dia mais, a escola tem prejudicado o desenvolvimento dos jovens com seu modelo educacional alienado e ultrapassado. Mas o que pai, mãe, avós e tios dizem é: "Se não quer ir para a escola, vai ser o que da vida? Como vai se sustentar? Como vai ser alguém?"


Nestes três cenários há uma preocupação válida:

É preciso ter recurso financeiro para dar conta de viver a vida.

Ninguém pode imaginar que a Utopia, de Thomas Moore, seja possível.


Mas, será que estes padrões estão certos e devem nortear o comportamento, o envolvimento e a dedicação dos agentes citados?


As mulheres não podem ouvir o seu chamado natural (qual for) e decidir que este não é um assunto para ela e que o resultado que ela melhor entrega e a realiza, pode não ter relação com dinheiro e, ainda assim, ser uma mulher valorosa? (Tem uma dica no fim do texto)


Empreendedores (nome moderno para quem trabalha por conta e risco próprios) não podem, simplesmente, fazer por amor ou por vocação? Mesmo que o empreendedor não tenha se embrenhado nesta selva com olho no dinheiro?


Da grade curricular atual (exceto: alfabetização, operações básicas de matemática e noções de ciências) qual conteúdo é obrigatório a ponto de fazer com que o jovem não possa ficar sem ir à escola?


Estes questionamentos me motivam a investigar os contextos de cada situação que presencio e chego à algumas conclusões:

1) Tudo começa quando conhecemos o ponto de partida de cada um. Entender que cada indivíduo partiu de um lugar próprio e único e, só por isso, sua jornada também é única, devia nos impedir de padronizar. E este entendimento nos livra do julgamento.

2) O que dá autoridade é a jornada e não o fim dela. Primeiro, porque ela só termina no jazigo e, segundo: é a feitura da comida que dá o sabor e não o passo-a-passo matemático e lógico de uma receita.

3) As pessoas precisam ser incentivadas às suas vocações. Àquilo que as realiza como ser humano e traz o estado de felicidade permanente.


Por fim, podemos ser quem quisermos ser.

Da forma que melhor conseguirmos, com os recursos que temos até termos melhores recursos (plagiando Cortella).


O que não é possível, para mim, é esta vomitação de padrões como se fôssemos produto de uma série em linha, automatizada e programada do mesmo jeito.


Eu aposto que quando falei da natureza feminina, acima, você imaginou que falei de donas de casa e mães. Isso aconteceu pelo fato de você mesmo não se lembrar das cantoras, pintoras, escritoras, artesãs - os tais padrões estabelecem que estes são hobbies e, alguns, até dão certo como J. K. Rowling.


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